Proteção solar durante a gravidez

Aug 14, 2023Sofia Francès0 comentários
As alterações hormonais predispõem ao aparecimento de manchas na pele e o protetor solar durante a gravidez é fundamental para preveni-las.
Embarazo

Uma das principais preocupações estéticas que temos durante a gravidez é o aparecimento de manchas (ou cloasma) no rosto. Embora surjam por causas naturais, o melhor que podemos sempre fazer é evitá-los. Para isso, o melhor aliado da nossa rotina cosmética é um bom protetor solar, principalmente se tiver uma fórmula que inclua ingredientes antienvelhecimento e antimanchas.

Por que aparecem manchas durante a gravidez?

Cloasma ou melasma, também conhecido como ‘mancha de gravidez ou de comprimido’, são manchas marrons que aparecem no rosto, principalmente no bigode, maçãs do rosto e testa.

Estas podem ser mais ou menos intensas dependendo do tempo de exposição ao sol e são causadas pelas alterações hormonais inerentes à gravidez, uma vez que há um aumento no nível de progesterona e estrogênio que afeta a produção de melanina (pigmento natural que dá cor à pele para protegê-la da radiação solar).

Por isso, é fundamental tomar sol com cautela e usar protetor solar de alto espectro, mesmo que não vamos nos expor diretamente ao sol. Felizmente, no mercado podemos encontrar fórmulas que nos ajudam a prevenir e até corrigir manchas, caso já as tenhamos.

Durante a gravidez, os hormônios gerados naturalmente no corpo estimulam os melanócitos (células produtoras de melanina localizadas na camada basal da epiderme) a produzir mais melanina. A melanina é o pigmento que, em excesso, forma a mancha.

Embora a hiperpigmentação causada durante a gravidez normalmente desapareça durante o primeiro ano após o nascimento do bebê, há casos em que pode persistir por mais tempo. O melhor em qualquer caso é uma boa prevenção e a melhor forma é nos proteger do sol.

O que precisa ser levado em consideração?

Ao escolher um protetor solar ou qualquer outro produto cosmético para a pele grávida, é especialmente importante ler o rótulo e a lista de ingredientes (a chamada INCI, Nomenclatura Internacional de Ingredientes Cosméticos).

Nesse sentido, vale lembrar que a ordem em que as substâncias são listadas é importante: as primeiras são as que apresentam maior percentual, enquanto as últimas estão presentes apenas em pequenas quantidades.

1. Radiação UVA e UVB

Os raios do sol não são todos iguais. Os UVB são responsáveis ​​pelo eritema, vermelhidão (e em casos mais graves, queimaduras), mas não penetram profundamente na nossa pele. Por outro lado, os raios UVA não causam problemas superficiais, mas são mais prejudiciais porque podem danificar o DNA das células, causando envelhecimento precoce e tumores de pele.

Portanto, você deve sempre escolher um protetor solar de amplo espectro que seja eficaz contra a radiação UVB e UVA.

2. Fator de proteção solar (FPS)

O FPS indica o nível de proteção do produto contra os raios solares: quanto maior for, maior será a proteção. Durante a gravidez, recomenda-se um FPS mínimo de 30, embora muitos dermatologistas recomendem 50 ou mais para proteger melhor a pele do aparecimento de manchas solares (e para evitar o agravamento das já existentes).

Neste sentido, é importante ter em mente que os raios UVB aumentam com o aumento da altitude (por exemplo, a 1800 metros acima do nível do mar temos +30%, que sobe para +35% a 2100 metros). Por isso, nas montanhas é importante usar um protetor solar mais elevado.

3. Filtros físicos e filtros químicos

Os filtros físicos (também chamados de filtros minerais ou inorgânicos) são substâncias naturais que, por serem opacas, formam uma espécie de tela protetora na pele e impedem que os raios solares a atinjam. Entre eles está, por exemplo, o óxido de zinco (INCI: óxido de zinco), ingrediente frequentemente encontrado em cremes para bumbum vermelho para bebês).

Já os filtros químicos absorvem a energia emitida pelos raios solares e a liberam em forma de calor. Ao contrário dos filtros físicos, eles não permanecem na superfície, mas são absorvidos pela pele. Em alguns casos, também podem penetrar no corpo, com efeitos para a saúde que os investigadores ainda estão a tentar estabelecer com clareza.

Por estes motivos, é preferível utilizar protetores solares com filtros físicos durante a gravidez e a amamentação.

4. Resistência à água

Um bom protetor solar deve ser resistente à água ou muito resistente à água, ou seja, manter sua eficácia na pele molhada por 40 ou 80 minutos, respectivamente.

5. Perfumes

Os dermatologistas recomendam a escolha de protetores solares sem adição de fragrâncias (sem fragrâncias). A razão é que esses ingredientes podem ser irritantes e sensibilizar a pele ao sol (fotossensibilidade e fotoalergia).

6. Petrolato

Petrolato (INCI: óleo mineral, petrolato, parafina líquida, cera microcristalina) são substâncias derivadas do refino do petróleo. Podem ser irritantes e comedogênicos, ou seja, obstruem os poros da pele, dificultando a respiração e favorecendo a formação de espinhas e cravos.

Dada a maior sensibilidade da pele e o aumento da produção de sebo durante a gravidez, seria melhor evitar filtros solares que contenham vaselina.

7. Repelentes de insetos

Alguns protetores solares são combinados com repelentes de mosquitos para dupla proteção contra o sol e picadas de insetos. Esses produtos não são recomendados, esteja você grávida ou não, pois retardam a evaporação do repelente e aumentam sua absorção pela pele.

Caso seja necessário, a recomendação é escolher dois produtos diferentes e aplicar protetor solar cerca de 20 minutos antes do repelente de mosquitos (nunca o contrário).

8. Data de validade

Os protetores solares não possuem prazo de validade real, mas sim o chamado PAO (Período Após Abertura), que indica por quanto tempo o produto pode ser utilizado após aberto.

O PAO é representado na embalagem como uma lata aberta contendo um número, geralmente entre 9 e 12 meses, uma vez ultrapassado o limite de uso recomendado, os protetores solares deixam de oferecer proteção segura e eficaz, expondo a pele ao risco de vermelhidão, irritação e manchas.

Ingredientes de “risco”

Nos últimos anos, algumas substâncias normalmente utilizadas em cosméticos e protetores solares têm atraído a atenção da pesquisa, levantando questões sobre a sua segurança em mulheres grávidas.

1. Oxibenzona

A oxibenzona (INCI: oxibenzona) é um filtro químico que está sendo investigado por seus possíveis efeitos hormonais.

Por precaução, os protetores solares com oxibenzona não são recomendados durante a gravidez ou em crianças.

Além disso, existem considerações ambientais: a oxibenzona parece ser potencialmente prejudicial para as anémonas do mar e contribui para o branqueamento dos corais marinhos.

Em 2020, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA colocou a oxibenzona sob observação junto com outros filtros químicos: avobenzona, octocrileno, homosalato, octisalato e octinoxato.

Enquanto se aguarda os resultados destas investigações, é aconselhável ter cautela ao usar protetores solares que contenham os filtros mencionados durante a gravidez.

2. Parabenos

Os parabenos são usados ​​como conservantes em produtos para a pele. Reconhecer estes ingredientes no INCI é bastante fácil porque terminam com o sufixo “-parabeno” (como metilparabeno, etilparabeno, etc.).

Um estudo realizado em 2000 com gestantes observou que essas substâncias podem interferir nos mecanismos hormonais que regulam o crescimento do feto, aumentando o risco de obesidade.

3. Nanopartículas

Ingredientes na forma de nanopartículas (INCI: nano + nome do ingrediente), devido ao seu tamanho muito pequeno, podem penetrar no corpo, com efeitos a longo prazo ainda não esclarecidos.

Portanto, quando se trata de protetores solares, pode fazer sentido preferir ingredientes “não nano” durante a gravidez.

Em qualquer caso, se tiver alguma dúvida sobre a segurança dos ingredientes contidos nos protetores solares ou em qualquer outro produto cosmético, é sempre aconselhável consultar um médico.

Como escolher um protetor solar durante a gravidez?

Escolha um filtro solar fotoestável e de amplo espectro contra as 4 radiações (UVB, UVA, Visível e Infravermelho).

Escolha um que, além de conter filtro físico ou químico, também venha acompanhado de filtro biológico. Um filtro biológico é um antioxidante que neutraliza e repara os danos causados ​​pelo sol.

Escolha um adaptado à atividade que você vai fazer, não é que você precise de muito para cada atividade, isso seria uma loucura, mas talvez para o dia a dia você prefira um que tenha um pouco de cor e para passear outro que é resistente ao suor e não arde nos olhos.

Por último, e embora possa parecer óbvio, a textura vai ser muito importante na escolha de um protetor solar, principalmente se sofremos alterações na nossa pele durante a gravidez. Se a sua pele é mista e o brilho incomoda, você vai gostar de texturas oil-free; se, por outro lado, você tem pele seca, vai precisar de uma com hidratação extra;

TÍTULO DO PRODUTO

US$ 10,0

Como usá-lo corretamente?

Você deve seguir a mesma regra de quando não estava grávida.

  • Leia atentamente as instruções do produto.

  • Aplicar o creme cerca de 20-30 minutos antes da exposição e a cada 2 horas depois (mesmo em tempo nublado).

  • Reaplicar após tomar banho ou suar muito, mesmo que o rótulo diga “resistente à água”.

  • Para manter intactas as características do produto, não exponha a embalagem à luz solar direta e, se possível, guarde-a em local protegido.

  • Associação Italiana de Dermatologia e Cosmetologia (AIDECO). Perguntas e respostas frequentes.

  • Associação da Academia Americana de Dermatologia (AAD). Como escolher um protetor solar.

  • Associação da Academia Americana de Dermatologia (AAD). O protetor solar é seguro?

  • Associação da Academia Americana de Dermatologia (AAD). Como decifrar rótulos de protetores solares.

  • Vuckovic D, Tinoco AI, Ling L et al. Conversão de protetor solar de oxibenzona em conjugados fototóxicos de glicosídeo por anêmonas do mar e corais. A ciência. 6 de maio de 2022;376(6593):644-648). doi:1126/science.abn2600

  • Matta MK, Florian J, Zusterzeel R, et al. Efeito da aplicação de protetor solar na concentração plasmática de ingredientes ativos de protetor solar: um ensaio clínico randomizado. JAMA. 2020;323(3):256–267. doi:10.1001/jama.2019.20747

  • Philippat C, Botton J, Calafat AM, Ye X, Charles MA, Slama R; Grupo de Estudos EDEN. Exposição pré-natal a fenóis e crescimento em crianças. Epidemiologia. Setembro de 2014;25(5):625-35. doi: 10.1097/EDE.00000000000132. PMID: 25061923; PMCID: PMC4724208.

  • https://www.ibanezfarmacia.com/blog/cuidado-de-la-piel/son-todos-los-protectores-solares-seguros-durante-el-embarazo



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